Enquanto os Estados Unidos debatem as melhores práticas para voltar a ter público nos estádios de maneira segura e consciente, o Delaware North, grupo privado que é dono do TD Garden, em Boston, do time da NHL Boston Bruins e atua com concessões de restaurantes e varejo em mais de 50 arenas esportivas nos EUA, anunciou que buscaria uma solução para voltar o quanto antes a ter público nos eventos esportivos.

Recentemente, a empresa apresentou o “Safer Stadia”, uma ferramenta que criou uma fórmula matemática para avaliar qual o risco de um evento voltar a ter a presença de público. Desenvolvida por John E. McCarthy, renomado matemático da Universidade de Washington, a ferramenta calcula o risco de comparecer a um evento esportivo público em comparação com outras tarefas do cotidiano, como ir a aeroportos, fazer uma viagem de avião, assistir a uma aula, ir ao supermercado ou comparecer a um evento religioso.

O matemático criou uma fórmula que calcula o risco como a multiplicação do perigo de contágio com a exposição ao número de pessoas.

O Safer Stadia identifica os riscos potenciais de transmissão em um recinto esportivo, analisando a proximidade, o tempo e o número de pessoas com quem um torcedor interage. A partir disso, o matemático determinou quais fatores desses podem ser controlados a partir de algumas medidas mitigadoras.

O segundo passo para o cálculo envolveu analisar o comportamento do torcedor na ida ao jogo. O que ele faz e quanto dura cada tarefa. Para isso, ele teve acesso aos dados do TD Garden. Entrada e saída do estádio; tempo para passar pela catraca e pela bilhetagem; deslocamento por corredores e tamanho do espaço para deslocamento, forma de deslocamento, tamanho do assento, a proximidade entre as pessoas e a distância entre as fileiras foram todas observadas.

Os pesquisadores ainda analisaram quanto tempo leva para o torcedor se deslocar para uma loja dentro do estádio, ou um quiosque para a compra de produtos, a distância até o banheiro, etc.

A partir disso, foi determinado qual é o risco para cada uma dessas atividades e, em seguida, foi calculado qual seria o impacto total de diferentes políticas de mitigação: exigir o uso de máscaras, distanciamento físico nos corredores do estádio ou deixar lugares vazios.

Com todos esses cálculos, a equipe criou um algoritmo que apresenta uma pontuação de risco total para o evento.

“O objetivo do modelo é avaliar o que é importante na experiência do estádio e o que não é. Aprendemos rapidamente duas grandes lições: o fator de risco mais importante em uma experiência de torcedor é sentar; e, com mitigação, o risco em tudo o mais é relativamente pequeno”, afirmou McCarthy em entrevista ao site da Universidade de Washington.

Segundo ele, usar máscara continua sendo a forma mais eficaz de impedir a disseminação do COVID-19. Segundo o matemático, uma pesquisa feita pelos donos do TD Garden apontou que 70% dos torcedores disseram que usariam a indumentária na ida ao estádio.

“A ocupação será reduzida e os fãs que comparecerão serão os mais ávidos, provavelmente os detentores de ingressos para a temporada. A punição por não obedecer às regras é que você será expulso. As equipes serão capazes de fazer cumprir as regras, muito mais do que podem ser aplicadas em outras situações públicas”, disse McCarthy.

Em território americano, a Delaware North já tem disponibilizado a ferramenta para seus parceiros em esportes profissionais. Segundo McCarthy, o “Safer Stadia” já foi apresentado aos times e ligas da NFL, NHL, MLB, NBA e MLS.

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